22.11.09
O que vale a pena
Por Alice Vieira
NÃO SOU DAQUELES que andam sempre a rir — até porque, como diz o Millor Fernandes, quem anda sempre a rir ou é tolo ou tem a dentadura mal ajustada.
Mas também me aborrecem muito os que passam a vida a chorar, a queixar-se, a lastimar-se, os que vêem sempre o copo meio vazio, e têm um discurso onde repetem, à exaustão, “só neste país é que…”
Pelo que dizem jornais e televisões, parece que realmente nestes últimos tempos não temos tido motivo para grandes alegrias…
Mas se calhar os jornais e as televisões não dizem tudo. (...)
Texto integral [aqui]
NÃO SOU DAQUELES que andam sempre a rir — até porque, como diz o Millor Fernandes, quem anda sempre a rir ou é tolo ou tem a dentadura mal ajustada.
Mas também me aborrecem muito os que passam a vida a chorar, a queixar-se, a lastimar-se, os que vêem sempre o copo meio vazio, e têm um discurso onde repetem, à exaustão, “só neste país é que…”
Pelo que dizem jornais e televisões, parece que realmente nestes últimos tempos não temos tido motivo para grandes alegrias…
Mas se calhar os jornais e as televisões não dizem tudo. (...)
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Humor Antigo - Ano de 1939A grande esperança
Por António Barreto
TODOS, DESDE HÁ PELO MENOS três séculos, esperaram sempre muito, quase tudo, da educação. Dos iluministas aos positivistas, dos cristãos aos ateus, dos fascistas aos democratas, dos conservadores aos marxistas, todos consideraram, em seu tempo e para sempre, que a escola e a educação (ou instrução) trariam as virtudes necessárias ao cumprimento das suas ambições e dos seus propósitos para as sociedades.
Desejou-se tudo da escola. Julgou-se que a razão nasceria naqueles bancos. Pensou-se que o espírito cívico seria aprendido nas salas de aula. Não se duvidou de que o professor iria formar novos homens. Teve-se a certeza que uma escola ajudaria os cidadãos a respeitar a lei e a ordem. Acreditou-se em que uma boa educação elevaria o nível cultural das populações e seria fonte de desenvolvimento. Esperou-se firmemente que a escola seria obreira da igualdade social. Todos pensaram que a escola seria o mais importante factor de mobilidade social. Houve quem julgasse, com benevolência, que a escola acabaria por subverter a ordem estabelecida. Como houve quem tivesse a certeza de que a escola ajudaria a temer a Deus e a respeitar as hierarquias. (...)
TODOS, DESDE HÁ PELO MENOS três séculos, esperaram sempre muito, quase tudo, da educação. Dos iluministas aos positivistas, dos cristãos aos ateus, dos fascistas aos democratas, dos conservadores aos marxistas, todos consideraram, em seu tempo e para sempre, que a escola e a educação (ou instrução) trariam as virtudes necessárias ao cumprimento das suas ambições e dos seus propósitos para as sociedades.
Desejou-se tudo da escola. Julgou-se que a razão nasceria naqueles bancos. Pensou-se que o espírito cívico seria aprendido nas salas de aula. Não se duvidou de que o professor iria formar novos homens. Teve-se a certeza que uma escola ajudaria os cidadãos a respeitar a lei e a ordem. Acreditou-se em que uma boa educação elevaria o nível cultural das populações e seria fonte de desenvolvimento. Esperou-se firmemente que a escola seria obreira da igualdade social. Todos pensaram que a escola seria o mais importante factor de mobilidade social. Houve quem julgasse, com benevolência, que a escola acabaria por subverter a ordem estabelecida. Como houve quem tivesse a certeza de que a escola ajudaria a temer a Deus e a respeitar as hierarquias. (...)
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No País da Sucata
JORGE COELHO, presidente-executivo da Mota-Engil, a maior empresa de construção nacional, deu uma entrevista ao semanário “Sol” em 18 de Setembro passado que talvez nos ajude a entender as nebulosas relações entre negócios e política no nosso país. Quando lhe foi perguntado se achava que a empresa que dirigia era beneficiada ou prejudicada nas adjudicações, disse: “Muito do que se passa na política, por detrás de coisas que são feitas... se os portugueses soubessem ficavam com ainda menos respeito pela vida política.” Os jornalistas quiseram saber se ele se referia a todas as alas políticas, ao que ripostou: “Tudo, tudo, tudo”. Interrogado quando é que tudo isso se ia saber, a resposta foi curta: “Nunca”.
Ele, que antes de ser empresário foi político durante quase 30 anos (“conheci muita gente e tenho conhecimentos ao nível da banca portuguesa e internacional que são fundamentais na minha profissão”, informou noutro passo da entrevista), deve saber do que estava a falar. (...)
Texto integral [aqui]
Etiquetas: autor convidado, CF
Espiões
Por João Paulo Guerra
O jornal "El País", que como se sabe é propriedade de um grupo editorial de uma família ideológica e política aparentada com o "nosso" PS, escreveu sobre o caso das escutas dentro do processo Face Oculta designando-o por um "jogo de espiões". Mas quanto a jogos de espiões é francamente preferível o último romance de Robert Wilson, no cenário de corrupção transnacional entre Sevilha e Marbella, com ramificações para a Máfia russa e derivas para fundamentalistas do Magrebe.
Por cá, como diz a reportagem de "El País", o caso de corrupção subjacente a toda a embrulhada, ora, é mais um em Portugal, "el enésimo". A grande questão é que o primeiro-ministro ‘no salía bien parado' de conversas com ‘un ex político y banquero de dudosa integridad'. Mas o jornal da Prisa - grupo que, por sinal, também constará das conversas escutadas, gravadas e divulgadas - arruma a questão como mais um duelo de suspeições transformadas em "armas de arremesso". Mas de arremesso entre quem? "El País" escreve que os casos de escutas em Portugal ‘salpican a Sócrates y Cavaco'.
Estava neste ponto da escrita do texto da coluna, a reflectir sobre "salpicos", quando tocou mais uma vez o alerta de mensagens no telefone: "Já existem cópias de conversas em poder da comunicação social". Há gente mergulhada num pânico de tal ordem que ainda começa a falar sem que alguém lhe faça perguntas.
«DE» de 20 Nov 09
O telefone não pára de tocar. Devo ter caído no ‘mailing’ de alguma central de contra-informação e a toda a hora recebo alertas angustiados sobre o caso das escutas por dentro do caso Face Oculta.
CHEGAM SEM REMETENTE e interrogam-se em aflição: "O que é que eles saberão mais?". Ou: "Haverá mais alguém escutado?". O ambiente é de romance de espionagem.O jornal "El País", que como se sabe é propriedade de um grupo editorial de uma família ideológica e política aparentada com o "nosso" PS, escreveu sobre o caso das escutas dentro do processo Face Oculta designando-o por um "jogo de espiões". Mas quanto a jogos de espiões é francamente preferível o último romance de Robert Wilson, no cenário de corrupção transnacional entre Sevilha e Marbella, com ramificações para a Máfia russa e derivas para fundamentalistas do Magrebe.
Por cá, como diz a reportagem de "El País", o caso de corrupção subjacente a toda a embrulhada, ora, é mais um em Portugal, "el enésimo". A grande questão é que o primeiro-ministro ‘no salía bien parado' de conversas com ‘un ex político y banquero de dudosa integridad'. Mas o jornal da Prisa - grupo que, por sinal, também constará das conversas escutadas, gravadas e divulgadas - arruma a questão como mais um duelo de suspeições transformadas em "armas de arremesso". Mas de arremesso entre quem? "El País" escreve que os casos de escutas em Portugal ‘salpican a Sócrates y Cavaco'.
Estava neste ponto da escrita do texto da coluna, a reflectir sobre "salpicos", quando tocou mais uma vez o alerta de mensagens no telefone: "Já existem cópias de conversas em poder da comunicação social". Há gente mergulhada num pânico de tal ordem que ainda começa a falar sem que alguém lhe faça perguntas.
«DE» de 20 Nov 09
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21.11.09
«Plano Inclinado» - Na SIC-N
É NA SIC-N, aos sábados. Começa a seguir ao noticiário das 22h e dura até às 22h50m. Os programas anteriores podem ser vistos [aqui].
Que será?
Por João Paulo Guerra
ENCONTREI EM TEMPOS, no decurso de uma pesquisa jornalística, um manual de instruções de uma associação patronal dos anos 20 do século passado, quando os fascismos floresciam na Europa. O folheto continha recomendações da associação às empresas filiadas no sentido de disciplinar o trabalho e domesticar os trabalhadores. De todas as cláusulas do opúsculo a que a minha memória reteve, por ser a mais opressiva e simultaneamente a mais caricata, recomendava que as sanitas das empresas destinadas aos operários não fossem horizontais mas inclinadas, mais elevadas atrás que à frente, de modo a proporcionar aos utentes a incomodidade bastante para que permanecessem pouco tempo na privada. (...)
Texto integral [aqui]
ENCONTREI EM TEMPOS, no decurso de uma pesquisa jornalística, um manual de instruções de uma associação patronal dos anos 20 do século passado, quando os fascismos floresciam na Europa. O folheto continha recomendações da associação às empresas filiadas no sentido de disciplinar o trabalho e domesticar os trabalhadores. De todas as cláusulas do opúsculo a que a minha memória reteve, por ser a mais opressiva e simultaneamente a mais caricata, recomendava que as sanitas das empresas destinadas aos operários não fossem horizontais mas inclinadas, mais elevadas atrás que à frente, de modo a proporcionar aos utentes a incomodidade bastante para que permanecessem pouco tempo na privada. (...)
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Passatempo-relâmpago de 21 Nov 09
O PASSATEMPO de hoje terá, em princípio, duas fases - a primeira das quais, pela sua facilidade, não dará direito a qualquer prémio; por isso, quem venha a concorrer a essa fase poderá concorrer à seguinte. 1ª fase: «Qual o nome do senhor aqui retratado?».
2ª fase: uma vez que já foi identificado o cavalheiro da fotografia (v. comentário 1, de Marco M.), afixou-se a imagem completa (em que o nome de Eça aparece a legendar uma imagem de Ramalho). A questão pode agora colocar-se assim: «Em que obra é que 'isto' aparece?». NOTA: dado que o erro - de tão grosseiro - é quase um "caso de polícia", o prémio será um livro policial.
Actualização (19h58m) : a resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui]. Demóstenes tem agora 24h para escrever para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada para envio do livro.2ª fase: uma vez que já foi identificado o cavalheiro da fotografia (v. comentário 1, de Marco M.), afixou-se a imagem completa (em que o nome de Eça aparece a legendar uma imagem de Ramalho). A questão pode agora colocar-se assim: «Em que obra é que 'isto' aparece?». NOTA: dado que o erro - de tão grosseiro - é quase um "caso de polícia", o prémio será um livro policial.
O São Queirós
Por Antunes Ferreira
QUAL CRISE? Depois da «jornada miraculosa e gloriosa de Zenica» - estou a citar um título a toda a largura da página de um jornal desportivo, para que conste – quem se atreve a falar do BNP? Do Manuel Godinho? Das escutas telefónicas? Das universidades privadas? Dos terrenos do Júlio de Matos? Do padre Frederico? Da Casa Pia? De milhentos casos mais na mesma linha da Justiça a passo de tartaruga? Vamos à África do Sul. Hossana nas alturas!
Vamos a factos. Desde que o prof. Carlos Queiroz assumiu a selecção nacional de futebol, por este País fora (e até pela diáspora lusitana), os comentários negativo dirigidos ao homem não foram muitos; foram muitíssimos. Escrevo mesmo o pleonasmo: muitérrimos.(...)
Texto integral [aqui]
QUAL CRISE? Depois da «jornada miraculosa e gloriosa de Zenica» - estou a citar um título a toda a largura da página de um jornal desportivo, para que conste – quem se atreve a falar do BNP? Do Manuel Godinho? Das escutas telefónicas? Das universidades privadas? Dos terrenos do Júlio de Matos? Do padre Frederico? Da Casa Pia? De milhentos casos mais na mesma linha da Justiça a passo de tartaruga? Vamos à África do Sul. Hossana nas alturas!
Vamos a factos. Desde que o prof. Carlos Queiroz assumiu a selecção nacional de futebol, por este País fora (e até pela diáspora lusitana), os comentários negativo dirigidos ao homem não foram muitos; foram muitíssimos. Escrevo mesmo o pleonasmo: muitérrimos.(...)
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Humor Antigo - Ano de 193920.11.09
A Mulher Que Sabia Demais
Por Maria Filomena Mónica
SIM, É ELA A EVA; ou antes, todas nós, as mulheres. No Génesis, 3, está lá tudo, a serpente, o paraíso, o saber, o homem, a mulher, o suor do rosto e … as dores do parto. Desde que, teria sete anos, dei uma trincada na maçã, imaginando que o fruto me esclareceria a inteligência, e que, em 1963, ousei ter aulas de «parto sem dor», tentando fugir aos desígnios de Jeová, a sua ira abateu-se sobre mim, sob a forma de enxaquecas infantis, passando, na adolescência, pela anemia, seguindo-se as depressões pós-parto, a perimenopausa, a menopausa e a pós-menopausa, tudo coroado pelas clustered headaches, a versão moderna da tortura. (...)
SIM, É ELA A EVA; ou antes, todas nós, as mulheres. No Génesis, 3, está lá tudo, a serpente, o paraíso, o saber, o homem, a mulher, o suor do rosto e … as dores do parto. Desde que, teria sete anos, dei uma trincada na maçã, imaginando que o fruto me esclareceria a inteligência, e que, em 1963, ousei ter aulas de «parto sem dor», tentando fugir aos desígnios de Jeová, a sua ira abateu-se sobre mim, sob a forma de enxaquecas infantis, passando, na adolescência, pela anemia, seguindo-se as depressões pós-parto, a perimenopausa, a menopausa e a pós-menopausa, tudo coroado pelas clustered headaches, a versão moderna da tortura. (...)
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Estaline
Por João Paulo Guerra
UM FILME DOS ANOS 50 do século passado, em plena guerra-fria, deixava no ar uma pergunta inquietante: “Estará Estaline vivo?”. O filme intitulava-se “A rapariga no Kremlin”. A rapariga era Zsa-Zsa Gabor, o rapaz Lex Barker, entre um Tarzan e uma ‘cowboyada’, e a fita uma xaropada. Os protagonistas procuravam nas zonas consideradas mais perigosas da Europa o homem que o mundo julgava morto. Mas que no filme, pelo menos, não estava.
E é a democracia portuguesa, essa trintona, que confirma a vitalidade de Ióssif Vissariónovich Djugashvíli, José Estaline de nome artístico. Curiosamente, não são só os partidos com alguma afinidade histórica e ideológica ao estalinismo quem mais aplica os ensinamentos de Estaline, mas também os auto-denominados “partidos democráticos”. Aqueles que, a solo, em duetos ou tripés têm conduzido a democracia portuguesa ao terreno pantanoso em que se encontra. (...)
Texto integral [aqui]
UM FILME DOS ANOS 50 do século passado, em plena guerra-fria, deixava no ar uma pergunta inquietante: “Estará Estaline vivo?”. O filme intitulava-se “A rapariga no Kremlin”. A rapariga era Zsa-Zsa Gabor, o rapaz Lex Barker, entre um Tarzan e uma ‘cowboyada’, e a fita uma xaropada. Os protagonistas procuravam nas zonas consideradas mais perigosas da Europa o homem que o mundo julgava morto. Mas que no filme, pelo menos, não estava.
E é a democracia portuguesa, essa trintona, que confirma a vitalidade de Ióssif Vissariónovich Djugashvíli, José Estaline de nome artístico. Curiosamente, não são só os partidos com alguma afinidade histórica e ideológica ao estalinismo quem mais aplica os ensinamentos de Estaline, mas também os auto-denominados “partidos democráticos”. Aqueles que, a solo, em duetos ou tripés têm conduzido a democracia portuguesa ao terreno pantanoso em que se encontra. (...)
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Ver se há maneira
Por Joaquim Letria
NÃO SEI SE ANDA ALGUÉM do Governo a matar a cabeça para que a monstruosa dívida externa e as contas públicas arrebitem. Também não sei se, além dos funcionários do Partido Socialista e de alguns ministros, alguém ouve aquelas coisas que o primeiro-ministro se habituou a dizer acerca do crescimento, do emprego, da justiça social, da modernização e do progresso da economia. Caso o ouçam, também ignoro se o percebem. Também não sei se o levam a sério e não faço ideia se acreditam nele.
Portugal anda macambúzio, sorumbático, sem vontade de assim continuar. Mas também não sabe como sair desta miséria. É a miséria de sempre, mas agora sem esperança. Acabou o orgulho de ser português, o tempo de ser um aluno exemplar, um ciclista do pelotão da frente, todas aquelas coisas em que muitos acreditaram antes “dos gajos” darem às de vila Diogo, para não se molharem no pântano e fazerem pela vidinha.
Claro que é mais fácil arranjar um treinador para o Sporting do que um primeiro-ministro para Portugal. Mas isto também não vai lá com chicotadas psicológicas, mesmo que voltasse alguém a prometer-nos que nos tirava da “cauda da Europa” e que os putos, com o “Magalhães”, vão ensinar “novos mundos ao mundo”. Vamos comer a broa que nos atirem depois de já não haver mais sopas de Bruxelas. E ver se há maneira…
NÃO SEI SE ANDA ALGUÉM do Governo a matar a cabeça para que a monstruosa dívida externa e as contas públicas arrebitem. Também não sei se, além dos funcionários do Partido Socialista e de alguns ministros, alguém ouve aquelas coisas que o primeiro-ministro se habituou a dizer acerca do crescimento, do emprego, da justiça social, da modernização e do progresso da economia. Caso o ouçam, também ignoro se o percebem. Também não sei se o levam a sério e não faço ideia se acreditam nele.
Portugal anda macambúzio, sorumbático, sem vontade de assim continuar. Mas também não sabe como sair desta miséria. É a miséria de sempre, mas agora sem esperança. Acabou o orgulho de ser português, o tempo de ser um aluno exemplar, um ciclista do pelotão da frente, todas aquelas coisas em que muitos acreditaram antes “dos gajos” darem às de vila Diogo, para não se molharem no pântano e fazerem pela vidinha.
Claro que é mais fácil arranjar um treinador para o Sporting do que um primeiro-ministro para Portugal. Mas isto também não vai lá com chicotadas psicológicas, mesmo que voltasse alguém a prometer-nos que nos tirava da “cauda da Europa” e que os putos, com o “Magalhães”, vão ensinar “novos mundos ao mundo”. Vamos comer a broa que nos atirem depois de já não haver mais sopas de Bruxelas. E ver se há maneira…
«24 horas» de 20 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
19.11.09
Operações
Por João Paulo Guerra
NÃO SEI SE A PJ ou o Ministério Público têm alguma brigada criativa para baptizar as operações que desencadeiam. Certo é que no vastíssimo rol de acções de investigação judicial e policial chegam à opinião pública nomes de código que revelam grande criatividade. A “Face Oculta”, que visa desmascarar a influência das sucatas na administração, não parece ser um sucedâneo da operação “Império da Sucata”, que há dois anos vasculhou a contabilidade de 17 suspeitos de lesarem o Fisco através de facturas falsas. Mas, quanto a lesar o Fisco, a operação “Furacão” varre todos os sectores. (...)
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NÃO SEI SE A PJ ou o Ministério Público têm alguma brigada criativa para baptizar as operações que desencadeiam. Certo é que no vastíssimo rol de acções de investigação judicial e policial chegam à opinião pública nomes de código que revelam grande criatividade. A “Face Oculta”, que visa desmascarar a influência das sucatas na administração, não parece ser um sucedâneo da operação “Império da Sucata”, que há dois anos vasculhou a contabilidade de 17 suspeitos de lesarem o Fisco através de facturas falsas. Mas, quanto a lesar o Fisco, a operação “Furacão” varre todos os sectores. (...)
Texto integral [aqui]
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Passatempo-relâmpago de 19 Nov 09
PELO MENOS na sua terra, este cantinho é relativamente famoso pelo que lá existiu até há pouco tempo. A pergunta é: «O que é que lá existiu até há pouco tempo?»Cada leitor poderá dar uma única resposta; se a certa tardar a surgir, a imagem será substituída por outra. O prémio será um livro da autoria de E. Stanley Gardner.
Actualização (16h23m): a resposta certa já foi dada, como se pode confirmar [aqui]. Marco M. tem 24h para escrever para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada para envio do prémio, o policial O Caso da Lata Vazia (ou 'esvaziada'?)
Blair entre as mulheres
Por Joaquim Letria
DIVERSOS DEPUTADOS de diferentes nacionalidades do Parlamento Europeu, capitaneados por Rui Tavares, o colunista do Bloco de Esquerda do “Público”, e entre os quais figura ainda Ana Gomes, a ex-candidata do PS à Câmara de Sintra, divulgaram uma petição para que Mary Robinson seja a escolhida para o cargo de Presidente do Conselho Europeu.
Mary Robinson foi presidente da Irlanda e alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A irlandesa é vista como uma figura com qualidades inquestionáveis para o cargo a que Tony Blair se bate vigorosamente. O valete do W. Bush no Afeganistão e no Iraque, ultimamente ganha a vida à pala da Palestina, como emissário dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia unidos num esforço comum para a paz no Médio Oriente.
Competirá aos líderes da União Europeia decidir quem vai ser o líder da sociedade europeia. Mas Mary Robinson não é a única candidata. Uma outra petição circula igualmente na Internet, embora aqueles que a promovem não se identifiquem. Esta segunda petição é a favor de Vaira Vike-Fraiberga, a ex-presidente da Letónia.
Em Outubro, alguns socialistas alemães e luxemburgueses lançaram a primeira campanha, a favor de Tony Blair, o ex-primeiro ministro britânico que se demitiu diante da pressão do eleitorado.
DIVERSOS DEPUTADOS de diferentes nacionalidades do Parlamento Europeu, capitaneados por Rui Tavares, o colunista do Bloco de Esquerda do “Público”, e entre os quais figura ainda Ana Gomes, a ex-candidata do PS à Câmara de Sintra, divulgaram uma petição para que Mary Robinson seja a escolhida para o cargo de Presidente do Conselho Europeu.
Mary Robinson foi presidente da Irlanda e alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A irlandesa é vista como uma figura com qualidades inquestionáveis para o cargo a que Tony Blair se bate vigorosamente. O valete do W. Bush no Afeganistão e no Iraque, ultimamente ganha a vida à pala da Palestina, como emissário dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia unidos num esforço comum para a paz no Médio Oriente.
Competirá aos líderes da União Europeia decidir quem vai ser o líder da sociedade europeia. Mas Mary Robinson não é a única candidata. Uma outra petição circula igualmente na Internet, embora aqueles que a promovem não se identifiquem. Esta segunda petição é a favor de Vaira Vike-Fraiberga, a ex-presidente da Letónia.
Em Outubro, alguns socialistas alemães e luxemburgueses lançaram a primeira campanha, a favor de Tony Blair, o ex-primeiro ministro britânico que se demitiu diante da pressão do eleitorado.
«24 horas» de 19 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
Luz - Alfarrabista de Hay-on-Wye
Fotografias de António Barreto- APPh
ESTA ALDEIA, na fronteira de Inglaterra com o País de Gales, alberga cerca de 80 alfarrabistas. Visitam-na milhares de turistas, intelectuais, comerciantes de livros e curiosos. É um ambiente extraordinário. Pelas ruas, centenas de pessoas a comprar livros, a ler livros, a falar de livros, à procura de livros e a negociar livros... Nesta imagem, um dos alfarrabistas ao ar livre! (1995)
NOTA (CMR): esta e outras fotografias, bem assim como crónicas do mesmo autor, encontram-se afixadas no seu blogue, o Jacarandá.
NOTA (CMR): esta e outras fotografias, bem assim como crónicas do mesmo autor, encontram-se afixadas no seu blogue, o Jacarandá.
Etiquetas: AMB
18.11.09
Escutas e Estado de direito
Por C. Barroco Esperança
PARA QUEM não é jurista e se habituou a respeitar a Justiça, mesmo quando funcionavam os Tribunais Plenários, onde juízes fascistas proferiam sentenças a mando da ditadura e exerciam o poder discricionário de fixar medidas de segurança que podiam eternizar-se, é difícil compreender o que está a passar-se nas magistraturas.
Magistrados organizados em sindicatos, cujos representantes não diferem na linguagem, agressividade e ameaças ao poder político, de outros líderes sindicais, deixam de ser a reserva moral em que os cidadãos acreditam e passam a ser suspeitos de uma vocação política escondida para a qual lhes mingua a coragem ou a capacidade. (...)
PARA QUEM não é jurista e se habituou a respeitar a Justiça, mesmo quando funcionavam os Tribunais Plenários, onde juízes fascistas proferiam sentenças a mando da ditadura e exerciam o poder discricionário de fixar medidas de segurança que podiam eternizar-se, é difícil compreender o que está a passar-se nas magistraturas.
Magistrados organizados em sindicatos, cujos representantes não diferem na linguagem, agressividade e ameaças ao poder político, de outros líderes sindicais, deixam de ser a reserva moral em que os cidadãos acreditam e passam a ser suspeitos de uma vocação política escondida para a qual lhes mingua a coragem ou a capacidade. (...)
Texto integral [aqui]
Etiquetas: CBE
Pergunta de Algibeira
ESTA RUA é de sentido único, mas da esquerda para a direita. Além disso, toda esta zona foi fechada com pilaretes para impedir o estacionamento em cima deste passeio. Pergunta-se, pois: como é que a carrinha conseguiu chegar ali?
Actualização (22h11m): a resposta pode ser vista [aqui].
Actualização (22h11m): a resposta pode ser vista [aqui].
A caldeirada
Por Joaquim Letria
A QUERCUS E A UNICRE, aquela organização bancária dos cartões de crédito, assinaram um acordo quinquenal através do qual estabeleceram uma parceria, arregaçaram as mangas e deitaram-se ao trabalho, por muito pouco, ou nada, que a gente possa pensar que têm a ver uns com os outros.
A nossa surpresa ainda é maior quando dizem que 50 bancários da Unicre com alguns ambientalistas da Quercus foram limpar uma ribeira para evitar a extinção da boga do Oeste. Este peixe está praticamente extinto devido à poluição dos esgotos domésticos e as suiniculturas da região, existindo raros exemplares em dois rios do Concelho de Torres Vedras.
Entre os objectivos a prazo desta parceria figuram a redução do gasto do papel e do consumo de energia nos edifícios. Juntos, empenharam-se agora na salvaguarda de certas zonas naturais, neste caso para evitarem a extinção definitiva da boga do Oeste. A Quercus põe mesmo a hipótese de fazer outras operações de limpeza semelhantes a esta, pensando até em plantar, nas margens do rio Alcabrichel, vegetação da zona para combater a erosão.
Naturalmente que não temos nada contra esta parceria e esta actividade. Pelo contrário. Mas aproveitando o “knowhow” da Unicre, talvez os seus bancários pudessem pedir à Quercus que colaborasse com eles na apanha dos trutas que a suinicultura dos nossos políticos meteu no BPN, BPP e BCP para destruir as chaputas, as fanecas e os besugos, acabando na caldeirada que a gente bem conhece.
A QUERCUS E A UNICRE, aquela organização bancária dos cartões de crédito, assinaram um acordo quinquenal através do qual estabeleceram uma parceria, arregaçaram as mangas e deitaram-se ao trabalho, por muito pouco, ou nada, que a gente possa pensar que têm a ver uns com os outros.
A nossa surpresa ainda é maior quando dizem que 50 bancários da Unicre com alguns ambientalistas da Quercus foram limpar uma ribeira para evitar a extinção da boga do Oeste. Este peixe está praticamente extinto devido à poluição dos esgotos domésticos e as suiniculturas da região, existindo raros exemplares em dois rios do Concelho de Torres Vedras.
Entre os objectivos a prazo desta parceria figuram a redução do gasto do papel e do consumo de energia nos edifícios. Juntos, empenharam-se agora na salvaguarda de certas zonas naturais, neste caso para evitarem a extinção definitiva da boga do Oeste. A Quercus põe mesmo a hipótese de fazer outras operações de limpeza semelhantes a esta, pensando até em plantar, nas margens do rio Alcabrichel, vegetação da zona para combater a erosão.
Naturalmente que não temos nada contra esta parceria e esta actividade. Pelo contrário. Mas aproveitando o “knowhow” da Unicre, talvez os seus bancários pudessem pedir à Quercus que colaborasse com eles na apanha dos trutas que a suinicultura dos nossos políticos meteu no BPN, BPP e BCP para destruir as chaputas, as fanecas e os besugos, acabando na caldeirada que a gente bem conhece.
«24 horas» de 18 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
A sociedade do ódio
Por Baptista-Bastos
A SOCIEDADE DOS HOMENS, tal como a conhecemos e no-la ensinaram, desmorona-se, ou, pelo menos, os seus modos de construção estão a ser seriamente abalados. Nada resiste às novas imposições de outras identidades e o sistema saído da globalização vigia e determina a totalidade da nossa existência. Há quem aprecie e defenda esta forma de redução do ser humano. Como pertenço a outra herança, combato a desapropriação social, moral e ideológica. Confesso, porém, que estou a ser derrotado. Não vencido: derrotado.
Quando Saint Just, na Convenção, proclamou que "a felicidade era possível entre os homens" e que "a liberdade era uma ideia nova na Europa", desfraldou uma bandeira sob a qual a esperança aqueceu o coração da humanidade. (...)
A SOCIEDADE DOS HOMENS, tal como a conhecemos e no-la ensinaram, desmorona-se, ou, pelo menos, os seus modos de construção estão a ser seriamente abalados. Nada resiste às novas imposições de outras identidades e o sistema saído da globalização vigia e determina a totalidade da nossa existência. Há quem aprecie e defenda esta forma de redução do ser humano. Como pertenço a outra herança, combato a desapropriação social, moral e ideológica. Confesso, porém, que estou a ser derrotado. Não vencido: derrotado.
Quando Saint Just, na Convenção, proclamou que "a felicidade era possível entre os homens" e que "a liberdade era uma ideia nova na Europa", desfraldou uma bandeira sob a qual a esperança aqueceu o coração da humanidade. (...)
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Etiquetas: BB
Etiquetas: autor convidado, Van Dog
17.11.09
E porque é que eles não sabem escrever?
E SE ALGUÉM ensinasse a estes jovens universitários a diferença entre «porque» e «por que»?NOTA: ver [aqui] como a editora Bizâncio resolveu - salomonicamente... - o problema...
O berlusconimómetro
Por Helena Matos
HOUVE UM TEMPO em que Berlusconi era, em Portugal, o símbolo daquilo que um político não deve ser. Um ministro era fotografado com o Berlusconi e gerava-se um embaraço na lusa pátria. O pior que se podia dizer de alguém era que se assemelhava a Berlusconi. Todos os dias havia anedotas com o Berlusconi e não havia quem não desse como consensual que o dito Berlusconi usava uns artifícios legais para não ser julgado. Ninguém se interessava pelos crimes de que o dito Berlusconi era acusado, suspeito, envolvido, arguido ou referido. O Berlusconi era culpado à partida. Como é que filmavam, fotografavam, escutavam ou obtinham provas para acusar o Berlusconi era coisa que não interessava a ninguém. O Berlusconi era culpado e pronto. Presumo que assim se deve manter mais ou menos pelo mundo. Acontece que em Portugal agora não dá jeito falar do Berlusconi. Parece mal. Pode falar-se, mas baixinho. (...)
Texto integral [aqui]
HOUVE UM TEMPO em que Berlusconi era, em Portugal, o símbolo daquilo que um político não deve ser. Um ministro era fotografado com o Berlusconi e gerava-se um embaraço na lusa pátria. O pior que se podia dizer de alguém era que se assemelhava a Berlusconi. Todos os dias havia anedotas com o Berlusconi e não havia quem não desse como consensual que o dito Berlusconi usava uns artifícios legais para não ser julgado. Ninguém se interessava pelos crimes de que o dito Berlusconi era acusado, suspeito, envolvido, arguido ou referido. O Berlusconi era culpado à partida. Como é que filmavam, fotografavam, escutavam ou obtinham provas para acusar o Berlusconi era coisa que não interessava a ninguém. O Berlusconi era culpado e pronto. Presumo que assim se deve manter mais ou menos pelo mundo. Acontece que em Portugal agora não dá jeito falar do Berlusconi. Parece mal. Pode falar-se, mas baixinho. (...)
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Etiquetas: autor convidado, HM
Da Intolerância heterofóbica
Por Manuel João Ramos
JÁ TINHA DISCUTIDO [AQUI] as consequências conceptuais profundas que a assimilação da união homossexual ao instituto do casamento podem ter.
E já me tinha confrontado com a deselegância dos comentários do agora deputado Miguel Vale de Almeida, [AQUI], [AQUI] e [AQUI].
Agora, o mesmo tornou televisivamente óbvia a sua intolerância:
JÁ TINHA DISCUTIDO [AQUI] as consequências conceptuais profundas que a assimilação da união homossexual ao instituto do casamento podem ter.
E já me tinha confrontado com a deselegância dos comentários do agora deputado Miguel Vale de Almeida, [AQUI], [AQUI] e [AQUI].
Agora, o mesmo tornou televisivamente óbvia a sua intolerância:
É claro para qualquer mente sã que o princípio da igualdade de direitos não pode atentar contra o princípio da especificidade. O contrato de casamento é exclusivo e específico, e a união homossexual não pode ser entendida senão sob o critério da excepcionalidade.
Os defensores do chamado "casamento gay" pretendem que a excepção à regra se faça equivaler à regra, mas apenas no que respeita aos seus interesses particulares, sem consideração pelas transformações conceptuais profundas que tal confusão acarreta.
O contrato de casamento define-se, entre nós, segundo um triplo critério: distinção de sexo, exclusividade e interdição de consanguinidade. O abandono do critério da distinção de sexo, unicamente, é discriminatório e anticonstitucional, na medida em que fere o disposto no n.º2 do art.13 da Constituição:
"Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social".
A recusa em discutir a equivalência, face ao Direito português, dos estatutos repectivos das uniões homossexuais, poligínicas e poliândricas revela uma profunda intolerância xenófoba, na medida em que desconsidera a realidade sociológica portuguesa actual, em que a poliginia e a poliandria existem, de forma encapotada, entre minorias culturais que não reclamam a sua legalização por receio de reacções segregatórias.
Passatempo-relâmpago de 17 Nov 09
NO SEGUIMENTO do passatempo Calimero de ontem (mas, agora, aberto a todos os leitores), aqui fica a pergunta correspondente à 2ª fase: «Quais os títulos dos livros, aqui ocultados?». As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa, que ocorrerá durante a tarde de hoje. Cada leitor só poderá responder uma vez, e o prémio será um exemplar do livro 5.Actualização (15h42m): o passatempo terminou. V. comentário das 15h40m.
Tempos interessantes
Por Joaquim Letria
HÁ UMA MALDIÇÃO CHINESA que deseja ao maldito que viva tempos interessantes. Mas os tempos interessantes não se podem medir em dias, horas ou minutos. Na verdade, não há momento em que não suceda algo interessante no nosso pobre Portugal.
Para o bem, ou para o mal, mas sem que nada seja por acaso, restando ver se os nossos queridos arquitectos do bem-estar social têm por objectivo intimidar os empresários para que deixem de sê-lo e começam a ocupar as fábricas abandonadas pelas falências, como os magnates russos. Todos seremos pobres, a trabalhar ou desempregados.
Depois das eleições, os cegos de Santa Maria passaram a cegos para sempre e os funcionários da Qimonda foram promovidos a desempregados permanentes. Governar para alcançar estes brilhantes resultados, que arrastaremos connosco durante anos, talvez em duas gerações, requer um certo esforço e arte, pois não é sem trabalho nem habilidade que se obtêm estes resultados em tempo de paz.
Destruir alegremente o tecido industrial e social português, a ponto dos estrangeiros se espantarem e persignarem, deve ser tarefa difícil, paralela à destruição sistemática do Estado de Direito. Num caso e no outro, talvez tenhamos de compreender, e fechar os olhos, para não vermos aqueles que levantam a voz contra as maldições chinesas.
HÁ UMA MALDIÇÃO CHINESA que deseja ao maldito que viva tempos interessantes. Mas os tempos interessantes não se podem medir em dias, horas ou minutos. Na verdade, não há momento em que não suceda algo interessante no nosso pobre Portugal.
Para o bem, ou para o mal, mas sem que nada seja por acaso, restando ver se os nossos queridos arquitectos do bem-estar social têm por objectivo intimidar os empresários para que deixem de sê-lo e começam a ocupar as fábricas abandonadas pelas falências, como os magnates russos. Todos seremos pobres, a trabalhar ou desempregados.
Depois das eleições, os cegos de Santa Maria passaram a cegos para sempre e os funcionários da Qimonda foram promovidos a desempregados permanentes. Governar para alcançar estes brilhantes resultados, que arrastaremos connosco durante anos, talvez em duas gerações, requer um certo esforço e arte, pois não é sem trabalho nem habilidade que se obtêm estes resultados em tempo de paz.
Destruir alegremente o tecido industrial e social português, a ponto dos estrangeiros se espantarem e persignarem, deve ser tarefa difícil, paralela à destruição sistemática do Estado de Direito. Num caso e no outro, talvez tenhamos de compreender, e fechar os olhos, para não vermos aqueles que levantam a voz contra as maldições chinesas.
«24 horas» de 17 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
2012
.Por Nuno Crato
ONTEM, SEXTA-FEIRA 13, o filme "2012" estreou em todo o mundo; Portugal não foi excepção. É uma saga da destruição do nosso planeta, com muitos planos espectaculares. Não o vi, por isso não sei se é divertido ou se é apenas repetitivo e enfadonho. Imagino que um filme sobre o fim do mundo deva ser pândego, com muitas mortes carecas e porta-aviões a irem ao fundo. A escolha da data de estreia denota, pelo menos, algum sentido de humor.
O que não é nada divertido é que haja muita gente a levar a sério os receios de um cataclismo cósmico para esse ano de 2012. (...)
Texto integral [aqui]
Etiquetas: NC
16.11.09
Passatempo Calimero de 16 Nov 09
ESTE DESAFIO destina-se, de início, apenas aos leitores que não tenham ganho nada nos passatempos que aqui foram propostos desde 1 de Outubro p.p. No entanto, se a resposta demorar a surgir, a participação será aberta a todos (no seguimento de uma actualização ad hoc). Lá vai, então:
«Há duas palavras que aparecem em todos os títulos dos cinco livros cujas capas se vêem do lado direito. Que palavras são essas?».
O prémio (a atribuir a quem, estando nas condições indicadas, primeiro der a resposta certa) será um dos dois livros de capa azul.
Actualização (15h02m): A resposta certa ("o retrato") já foi dada. Diogo tem 24h para contactar premiosdepassatempos@iol.pt indicando qual dos livros prefere e morada para envio.
«Há duas palavras que aparecem em todos os títulos dos cinco livros cujas capas se vêem do lado direito. Que palavras são essas?».
O prémio (a atribuir a quem, estando nas condições indicadas, primeiro der a resposta certa) será um dos dois livros de capa azul.
Actualização (15h02m): A resposta certa ("o retrato") já foi dada. Diogo tem 24h para contactar premiosdepassatempos@iol.pt indicando qual dos livros prefere e morada para envio.
Oxalá me engane...
Por Joaquim Letria
OXALÁ ME ENGANE, mas um governo de mãos rotas, como este que vamos tendo, não tarda e está a aumentar os impostos.
Eu sei que eles disseram que nem pensar, era o que faltava, mas aposto que não tarda nada e temos aí o Sócrates a dizer que, para cuidar da nossa saúde, se vê obrigado a aumentar os impostos sobre o tabaco e a gasolina. Não fume e vá a pé, não se esqueça da bicicleta!
Por outro lado, Portas bem avisa, alertando para o novo Código Contributivo que vamos ter a partir de Janeiro e que pode ser mais uma dor de cabeça, principalmente para os comerciantes.
Os agricultores também se podem ver a subir de escalão e a pagarem mais, enquanto todos nós podemos ver agravar-se a prestação de serviços. O Governo não pode estar mais resignado nem se mostrar mais manso perante o consumo em queda e um défice que é a vergonha da União Europeia.
Se esta gente alguma vez tivesse trabalhado na vida, para comer e dar de comer, saberia quantos dias tem o mês e quanto custa pagar a horas a quem trabalha. Mas assim, vão diminuir o consumo, atrair cada vez menos investimento e aumentar, ainda mais, a economia paralela.
Podemos ficar descansados porque vamos ter mais do mesmo que até aqui. Desemprego, défice e ausência de expectativas.
OXALÁ ME ENGANE, mas um governo de mãos rotas, como este que vamos tendo, não tarda e está a aumentar os impostos.
Eu sei que eles disseram que nem pensar, era o que faltava, mas aposto que não tarda nada e temos aí o Sócrates a dizer que, para cuidar da nossa saúde, se vê obrigado a aumentar os impostos sobre o tabaco e a gasolina. Não fume e vá a pé, não se esqueça da bicicleta!
Por outro lado, Portas bem avisa, alertando para o novo Código Contributivo que vamos ter a partir de Janeiro e que pode ser mais uma dor de cabeça, principalmente para os comerciantes.
Os agricultores também se podem ver a subir de escalão e a pagarem mais, enquanto todos nós podemos ver agravar-se a prestação de serviços. O Governo não pode estar mais resignado nem se mostrar mais manso perante o consumo em queda e um défice que é a vergonha da União Europeia.
Se esta gente alguma vez tivesse trabalhado na vida, para comer e dar de comer, saberia quantos dias tem o mês e quanto custa pagar a horas a quem trabalha. Mas assim, vão diminuir o consumo, atrair cada vez menos investimento e aumentar, ainda mais, a economia paralela.
Podemos ficar descansados porque vamos ter mais do mesmo que até aqui. Desemprego, défice e ausência de expectativas.
«24 horas» de 16 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
Os Meritíssimos
O MEU PRECONCEITO face aos magistrados judiciais, talvez mais emocional do que racional, vem de longe. Nos últimos anos, a comunicação social, livre que está do lápis azul da censura, desde 1974, tem relatado casos e situações que, longe de melhorarem a imagem que, subconscientemente fui construindo em relação a estes detentores de um poder constitucionalmente estabelecido, a têm vindo, pelo contrário, a acentuar, ou até mesmo, a piorar. Esta imagem que bem ou mal interiorizei destes meritíssimos, tenho-a revisto, ultimamente, no discurso desassombrado do actual bastonário da Ordem dos Advogados. Conheço alguns juízes, dois deles do topo da hierarquia judicial, por quem tenho todo o respeito e a maior consideração. Eles representam o oposto do retrato estereotipado que muitos, como eu, têm da classe, o que, certamente, torna injusta toda e qualquer generalização. (...)
Etiquetas: GC
15.11.09
As nossas tristes figuras
Por Joaquim Letria
QUE TRISTEZA A FIGURA que há sempre alguém disposto a fazer, comprometendo Portugal. Agora, foi a Federação Portuguesa de Futebol que resolveu pôr em causa a honestidade de Cristiano Ronaldo, a seriedade de Florentino Perez, a correcção de Jorge Valdano e o bom nome do Real Madrid. O cavalheiro Madaíl parecia aqueles patrões que fogem ao fim de semana com as máquinas, sem pagar aos trabalhadores, mas se há um empregado que está de baixa, atiça-lhe a Inspecção Geral do Trabalho, a ver se o homem está em casa. Para mais, neste caso, ainda põem em causa o seu quadro clínico! Se não têm obrigado o Cristiano Ronaldo a jogar lesionado aqueles 17 minutos contra a Hungria, o CR9 estava hoje bom e pronto para a Bósnia. (...)
Texto integral [aqui]QUE TRISTEZA A FIGURA que há sempre alguém disposto a fazer, comprometendo Portugal. Agora, foi a Federação Portuguesa de Futebol que resolveu pôr em causa a honestidade de Cristiano Ronaldo, a seriedade de Florentino Perez, a correcção de Jorge Valdano e o bom nome do Real Madrid. O cavalheiro Madaíl parecia aqueles patrões que fogem ao fim de semana com as máquinas, sem pagar aos trabalhadores, mas se há um empregado que está de baixa, atiça-lhe a Inspecção Geral do Trabalho, a ver se o homem está em casa. Para mais, neste caso, ainda põem em causa o seu quadro clínico! Se não têm obrigado o Cristiano Ronaldo a jogar lesionado aqueles 17 minutos contra a Hungria, o CR9 estava hoje bom e pronto para a Bósnia. (...)
Etiquetas: JL
14.11.09
«Dito & Feito»
Por José António Lima
SOBRE AS IMPLICAÇÕES políticas, partidárias e a nível do aparelho de Estado que o caso ‘Face Oculta’ levanta, Mário Soares veio a terreiro dizer aos portugueses:
«Há uma coisa que, com a repetição sistemática, verdadeiramente me preocupa».
O quê? A existência de redes tentaculares que alastraram impunemente e corrompem desde o funcionário mais baixo a quadros intermédios e de topo das empresas com cargos de nomeação pública? O facto de figuras conhecidas do seu PS aparecerem atoladas neste lodaçal de corrupção, tráfico de influências e subornos? A amostra do ponto a que se degradou a sua tão celebrada ética republicana?
Não, o que inquieta Mário Soares são «as informações que, em momentos políticos específicos, aparecem e são glosadas com bastantes pormenores nos jornais, rádios e televisões».(...)
Texto integral [aqui]
SOBRE AS IMPLICAÇÕES políticas, partidárias e a nível do aparelho de Estado que o caso ‘Face Oculta’ levanta, Mário Soares veio a terreiro dizer aos portugueses:
«Há uma coisa que, com a repetição sistemática, verdadeiramente me preocupa».
O quê? A existência de redes tentaculares que alastraram impunemente e corrompem desde o funcionário mais baixo a quadros intermédios e de topo das empresas com cargos de nomeação pública? O facto de figuras conhecidas do seu PS aparecerem atoladas neste lodaçal de corrupção, tráfico de influências e subornos? A amostra do ponto a que se degradou a sua tão celebrada ética republicana?
Não, o que inquieta Mário Soares são «as informações que, em momentos políticos específicos, aparecem e são glosadas com bastantes pormenores nos jornais, rádios e televisões».(...)
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Etiquetas: autor convidado, JAL
Pergunta de algibeira
Neste desenho, há qualquer coisa que não está bem. O que é?Actualização: Ver a solução [aqui]
A moderação prescreveu
Por Antunes FerreiraFOI TEMPO EM QUE A JUSTIÇA andava de olhos vendados, numa mão segurando a balança, noutra a espada. Pelo menos, essa era a figura que a simbolizava e que mereceu de tantos criadores de Arte, as mais diversas interpretações gráficas. Sempre, porém, resumidas na trilogia: era cega, imparcial e justiceira. Ainda hoje a imagem é a mesma. Basicamente. Porque em seu redor se vêm colocando mantos. E a estátua do Eça lá está: o escritor cobre a nudez forte da verdade com o manto diáfano da fantasia. Mutatis mutandis…
Hoje, a venda ocular não resiste à venda de informações. A Senhora passa os dias a levantá-la para tentar descortinar e entender o que se passa no quotidiano. E para depois poder filtrar o que viu. Talvez até se a devesse substituir por óculos bifocais, ou, quiçá, lentes de contacto que não a desfeariam tanto. (...)
Etiquetas: AF
13.11.09
“Já V. Exas. deram cabo das Forças Armadas”
Por Joaquim Letria
ESTÁ NA MODA desprezar os militares. Mas para arriscar o pêlo numa missão de paz vão os militares e não os pacifistas. Tal como para salvar um pinhal ou um eucaliptal, quem arrisca a vida são os bombeiros e os militares, e não os ecologistas. Assim como para ajudar a população civil numa catástrofe trazem-se os militares e as Forças de Segurança.
Estes políticos humilham o militar e impedem a sua capacidade de progressão com mais eficácia do que a torpeza antiga de rir do amor à Pátria, do conceito de honra e do sentido de serviço e disciplina, irrecusáveis para quem veste um uniforme. Também é moda ofender quem defende valores que deixaram de ser respeitados.
Os chefes militares mostram uma cuidada educação ao transformarem em moderadas queixas aquilo que deveria ser “uma sincera exposição das circunstâncias”. Porque estas, verdadeiramente, são as dos barcos não navegarem por falta de combustível e sobressalentes, os aviões não voarem por não haver dinheiro e o armamento não servir para nada porque é obsoleto.
As circunstâncias reais e verdadeiras são também a dos militares não poderem protestar, nem manifestar-se, nem convocar greves, nem levantar a voz, nem ameaçar com represálias nem provocar desordens sociais e terem de acatar o que lhes venha de cima. Talvez um dia possam, em sentido e com cortesia, dizerem aos políticos: ”Muitos parabéns! Já V. Exas deram cabo das Forças Armadas!”
ESTÁ NA MODA desprezar os militares. Mas para arriscar o pêlo numa missão de paz vão os militares e não os pacifistas. Tal como para salvar um pinhal ou um eucaliptal, quem arrisca a vida são os bombeiros e os militares, e não os ecologistas. Assim como para ajudar a população civil numa catástrofe trazem-se os militares e as Forças de Segurança.
Estes políticos humilham o militar e impedem a sua capacidade de progressão com mais eficácia do que a torpeza antiga de rir do amor à Pátria, do conceito de honra e do sentido de serviço e disciplina, irrecusáveis para quem veste um uniforme. Também é moda ofender quem defende valores que deixaram de ser respeitados.
Os chefes militares mostram uma cuidada educação ao transformarem em moderadas queixas aquilo que deveria ser “uma sincera exposição das circunstâncias”. Porque estas, verdadeiramente, são as dos barcos não navegarem por falta de combustível e sobressalentes, os aviões não voarem por não haver dinheiro e o armamento não servir para nada porque é obsoleto.
As circunstâncias reais e verdadeiras são também a dos militares não poderem protestar, nem manifestar-se, nem convocar greves, nem levantar a voz, nem ameaçar com represálias nem provocar desordens sociais e terem de acatar o que lhes venha de cima. Talvez um dia possam, em sentido e com cortesia, dizerem aos políticos: ”Muitos parabéns! Já V. Exas deram cabo das Forças Armadas!”
«24 horas» de 13 de Novembro de 2009
Etiquetas: JL
TERMINOU às 20h o passatempo que se propunha premiar a resposta mais correcta à pergunta: «Qual a latitude geográfica do local onde está esta casa?» - Ver [aqui].Escolas Públicas e Privadas
Por Maria Filomena Mónica
NO ÚLTIMO SÁBADO [Set 2008], o Primeiro-Ministro relembrou que a educação era a «a prioridade das prioridades», acrescentando estar empenhado em «atingir maior igualdade social através da aposta no ensino». Pode S. Exa. berrar à vontade contra os «bota abaixo» - nos quais me incluirá - mas os recentes exames do 12. º Ano estão aí para provar que as escolas públicas deixaram de premiar o esforço.
Se hoje tivesse filhos pequenos, não os matricularia numa escola pública: não porque os docentes sejam piores do que na privada, mas porque, devido aos programas, regras e cultura impostos pelo Ministério, o ensino está degradado. (...)
Texto integral [aqui]
NO ÚLTIMO SÁBADO [Set 2008], o Primeiro-Ministro relembrou que a educação era a «a prioridade das prioridades», acrescentando estar empenhado em «atingir maior igualdade social através da aposta no ensino». Pode S. Exa. berrar à vontade contra os «bota abaixo» - nos quais me incluirá - mas os recentes exames do 12. º Ano estão aí para provar que as escolas públicas deixaram de premiar o esforço.
Se hoje tivesse filhos pequenos, não os matricularia numa escola pública: não porque os docentes sejam piores do que na privada, mas porque, devido aos programas, regras e cultura impostos pelo Ministério, o ensino está degradado. (...)
Texto integral [aqui]
Etiquetas: FM
Chamem a polícia...
O Público, ontem, dava destaque ao caso de um agente da PSP de Lisboa que tinha tido uma avaliação muito baixa por ter aplicado poucas multas. De facto, é imperdoável, pois - mais a mais na capital - não precisa de andar muito para encontrar infractores...

















